sexta-feira, 21 de novembro de 2008
O MÉTODO DESCANSA NO DOMINGO

Essa higiene de busca nos distingue das máquinas e nos aproxima do que o corpo sabe fazer. Mais que a mente, o corpo nos afasta do artifício.
O método descansa no domingo; o rodeio, todos os dias, salva a vida. Se vocês têm necessidade de vitória, de lugar previsto, de batalhas, bancos ou instituições, sigam pelo método. O rodeio fica para o tempo e a inteligência, a saúde do pensamento, liberdade, paz: criação de lugares imprevistos.
Mas percorram os dois, não condenem nenhum; o amante de paisagens às vezes precisa de auto-estrada. Abandonem, portanto, o pensamento selvagem que privilegiava, indevidamente, o lado direito. Orientar-se no pensamento não deixa escolha senão a de virar a leste.” Michel Serres Os Cinco Sentidos-Filosofia dos corpos misturados Ed BB pg. 278
*Método e rodeio
Rolanota: o método, sempre na pressa, marca o terreno com retas e rotas ariscas e sem olhar pros lados, cego? vai em frente, mesmo após as bifurcações...agora imaginemos o desenho deixado no chão por um rodeio de mil voltas e conexões...este é o rodeio de que fala MS.
MS.
"Se você quiser ensinar autonomia e reflexão, não poderá usar a força como um método,
mas criar um espaço aberto para reflexão e ação comunitárias.
Não deve haver contradição entre metas e meios" Humberto Maturana
Saudações da pARTE do Hélio Rôla
Imitadores/Teoria da ciência

Id, Ego e SuperEgo
&
Neurônios espelhos
PS Nesse domínio existencial do vazio teórico e prático, reina então o quê: a força, o domínio, a submissão e o sofrimento pelo cateto que não admitia ser quadrado? Pergunto eu. O texto é do
Michel Serres, filósofo já conhecido aqui no Rolanet, no livro Hermes - uma filosofia das ciências Ed Graal pg 92-93
Fortaleza é nossa debilidade, ou não?
Teoria do mando
Minto, logo governo?
Saber & exclusão

“Tal como outrora e há pouco, os ricos e os homens ditos livres, lúcidos sobre o mundo global, mas localmente cegos aos pobres e aos escravos, celebravam a sua própria constituição igualitária, aqueles que participam nesta onipotência, recentemente adquirida pelo saber, a tecnologia e a informação, vêem ainda menos os excluídos, os, justamente, da exceção, e que não participam de nada, porque os primeiros, raros, possuem, afinal de contas, tudo, inclusive o conhecimento do mundo e a definição construtora do real, assim como as faculdades de conhecê-lo e de refazê-lo, com toda a facilidade, e os outros, em tão grande número que esse número se prolonga até ao universal, nada. Quando aqueles que habitavam não podiam compreender o sofrimento essencial dos que não tinham casa, como é que os que constroem o universo terão a mínima percepção dos que excluem do mundo, pois o seu próprio mundo condiciona toda a visão e todo o habitat?”
Michel Serres Atlas Inst. Piaget Lisboa Coleção Epistemologia e Sociedade
Fortaleza é nossa debilidade
Sob as curvas de Niemayer / Aquarela do Brasil

Saludos HeRo
Fortaleza é nossa debilidade e o Estoril o museu da boemia?
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Abrigo da miséria

"A violência funda toda a instituição.
Individual ou coletiva, a miséria mergulha os homens que ataca num estado limite em que a violência não conhece regras nem leis, em que não há quaisquer barreiras à sua propagação universal. Esta exclusão para fora da lei aproxima do risco máximo de eliminação ou de erradicação: excede o homicídio pois este último define-se segundo leis penais...e atinge o genocídio, pois trata-se, doravante, do gênero humano quase na sua totalidade...O pequeno número produz o grande que em contra-partida o condiciona; repete-se o mesmo esquema de antes. Produzimos a condição humana global, de que somos, pois, diretamente responsáveis. Dir-se-ia que o sujeito se perde nessa circularidade objetiva em que a fortuna provoca a miséria e o conhecimento a ignorância, que, no entanto, combate.
Quando falo dos mais fracos, falo também da fraqueza intelectual: como é possível que o tempo da ciência triunfante, das técnicas soberanas, das verdades geomediaticamente comunicadas tenha deixado degradar a esse ponto a instrução, afundar as culturas, deixar crescer tão fortemente a ignorância e a porcentagem de iletrados? Não é um paradoxo o fato de a comunicação --no espaço--falhar a transmissão através do tempo?
Michel Serres em ATLAS e Diálogo Sobre a Ciência, a Cultura e o Tempo .
A crise da ciência

Michel Serres - Hermes, uma filosofia das ciências. Ed. Graal
Saudações da pARTE do Hélio Rôla
Fortaleza é nossa debilidade
O que fazer?
Sapo Science

OS CIENTISTAS E OS FILÓSOFOS
Um cientista é uma pessoa que vive na paixão do explicar usando o critério de validação das explicações científicas, é cuidadoso em sua aplicação e em não confundir domínios fenoménicos ao fazê-lo, e está pronto para aceitar qualquer fenômeno que ele ou ela possa distinguir como um assunto aberto para uma explicação científica. Um filósofo é uma pessoa que vive na paixão do refletir sobre suas ações e suas relações em seu domínio de existência numa comunidade humana, freqüentemente, mas não necessariamente, visualizando-as sempre num domínio de valores, e fazendo isso sempre sob a condição básica de operar numa coerência lógica impecável, a partir de certas premissas básicas que ele ou ela aceitou, implícita ou explicitamente, a priori. O cientista começa com uma experiência que ele ou ela toma como um fenômeno a ser explicado, e procede em sua explicação satisfazendo o critério de validação das explicações científicas, através do uso de outras experiências e das coerências operacionais que elas envolvem. O filósofo começa com um conjunto de premissas básicas implícitas e explícitas que ele ou ela aceita a priori e procede explicando suas experiências e o mundo que vive através da aplicação dessas premissas, apoiado em outras noções consistentes, enquanto ele ou ela é cuidadoso em gerar um sistema explicativo que as conserve. Em suas respectivas teorizações, filósofos e cientistas operam como seres racionais, na medida em que seguem as coerências operacionais da linguagem como um domínio de coordenações consensuais recursivas de coordenações consensuais de ações.
Humberto Maturana em Cognição, Ciência e Vida Contemporânea
Saludos HeRo
Política, a feira carismática

“Tão miticamente quanto o pensávamos, o contrato social marca o início das sociedades. Em função destas ou daquelas necessidades, alguns homens decidem, certo dia, viver em conjunto e se associam; desde então não sabemos mais passar uns sem os outros. Quando, como e porque esse contrato foi--ou não--assinado, não sabemos e, sem dúvida, nunca saberemos. Não importa.
...Imerso no contrato exclusivamente social, o político até esta manhã o subscreve e reescreve, faz com que seja observado, especialista unicamente em relações públicas e ciências sociais; eloqüente, até retórico, talvez até culto, conhecendo as entranhas, os corações e a dinâmica dos grupos, administrador, bom de mídia, essencialmente um jurista, ele mesmo produto do direito e produtor do direito: inútil tornar-se um físico...
...Tudo acaba de mudar. De agora em diante consideraremos inexata a palavra política, pois ela se refere apenas à cidade, aos espaços publicitários, à organização administrativa dos grupos. O que mora na cidade, antigamente chamado burguês, nada conhece do mundo. De agora em diante o governante deve abandonar as ciências humanas, as ruas e os muros da cidade, tornar-se físico, emergir do contrato social, inventar um novo contrato natural voltando a dar à palavra natureza o sentido original de condições em que nascemos—ou deveremos amanhã renascer."
....Ao contrário, o físico, no sentido grego mais antigo e também o mais moderno, aproxima-se da política.
Michel Serres, O Contrato Natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991
Saudações da pARTE do HeRo
quinta-feira, 21 de agosto de 2008

" O parasita controla a vida e a morte, a origem e o fim, o tempo e a composição, o bem e o mal, o falso e o verdadeiro, a ordem e a desordem. Tentem encontrar um poder ou algum dominador que não se conduza de maneira parasitária." O Teatro Carismático
"Traiçoeira civilidade"

Os sentimentos estão sufocados pela tão admirada urbanidade que devemos ao esclarecimento deste século.
Rousseau (1750)
" Ou os homens estão sós, diante da natureza, sem grupo ou sociedade, ou eles passam a viver na política e, então, não há mais mundo" Michel Serres Luzes
domingo, 10 de agosto de 2008
O de sempre # 2

"Como espécie, o sapiens ama e detesta sua própria vida e as de outras espécies, ele as erradica e as pesquisa. Uma força grandiosa transbordante de crime e deleite...Vivemos, logo amamos; vivemos, logo odiamos. Eu amo e odeio a vida, logo existo. Transformamo-nos lentamente, com variações individuais, num gênero pacífico e arrogante, inventivo e exterminador, amoroso e tanatocrático, de Stalin a São Francisco de Assis, do caçador impiedoso a São Júlio, o Hospitaleiro, do parasita ao simbionte, da loucura dos que adoram o poder ao surpreendente punhado de santos que dedicam seu poder ao amor."
Michel Serres
NOVA BANDEIRA

Nova Bandeira HeRo 08
GOVERNO
ÁGORA E AGORA?
“A noção de governo se refere às conversações de harmonização entre as ações da pessoa encarregada do operar de uma instituição como sistema de coordenações e emoções, ou governante, e as ações dos governados que realizam a instituição como tal. A tarefa do governante é guiar as conversações que constituem a instituição de modo que as ações dos governados e, portanto, o emocionar que as sustenta, sigam um curso congruente com suas intenções, desejos e propósitos. Noutras palavras, governar consiste em dirigir e harmonizar as intenções, desejos e propósitos dos membros de uma instituição; ou ainda em outras palavras, governar consiste em harmonizar o fluir emocional dos membros da instituição governada. Por isto, toda reflexão sobre o governo de uma instituição qualquer, deve revelar necessariamente tanto o espaço das intenções, desejos e propósitos que constituem as ações do governante, quanto o espaço das intenções, desejos e propósitos que devem fundar as ações dos governados como membros da dita instituição.”
Humberto Maturana R. El Sentido De Lo Humano. Chile, Hachette, 1992, (pg. 210).
Fortaleza
é nossa debilidade
Saludos HeRo
Zorba
"ZIGRICK"









