segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

SELO DA (BAR)BÁRIE

"Abuso sócio-ambiental dá lucro, daí a dificuldade em removê-lo"
" O turismo é uma guerra vulgar movida contra as pessoas, a paisagem e o sossego"

BARES E RESTAURANTES
Diz-se que o Fala Fortaleza recebe uma média de dez reclamações diárias sobre poluição sonora e que os estabelecimentos que produzem som acima do permitido são multados em R$ 3 mil. Só não sabemos qual é a porcentagem atendida e em quanto tempo. Até aí tudo bem, mas o que esperar da missão "silêncio" da PMFBela se a Semam, seu trunfo operacional no controle dessas sócio-mazelas, conta apenas com uma equipe externa de três fiscais e dois técnicos para cobrir toda a Capital, que, segundo dizem, é a cidade mais barulhenta do planeta? Tudo pra inglês ver? Nessa questão de poluição sonora o ronda não tem tido uma performance à altura do que foi propalado pelas autoridades...Curioso, o que consideramos, orgulhosos, uma grande vantagem, aqui entre nós, é, antes de tudo, penso eu, um sinal inequívoco de barbárie. Este sim, o Selo da Barbárie, é que deveria ser o selo a ser conferido a certos bares e restaurantes que praticam abuso sócio-ambiental há mais de vinte anos aqui na cidade e vão muito bem obrigado, para dizer o mínimo...E agora com o selo estariam esses estabelecimentos acima da lei? Ora, ora, como abrir a boca e falar em cidade bela se a prefeitura com "suas dificuldades administrativas e operacionais", favorece, sem querer, claro, a contravenção da poluição sonora? Nesse aspecto vale dizer que o trabalho da Semam ( só dela?) se dá em regime de rendimentos decrescentes, faz o que pode, mas pode pouco, e assim tudo se acumula, a própria Semam assim se apresenta nos jornais, veja o link

http://www.diariodonordeste.com.br/materia.asp?codigo=542429

E pra terminar me perdoem pela asneira: mas que saudade do Disque Silêncio da cidade saudável dos tempos do Juracy...
Saudações da pARTE do Hélio Rôla ( Agora EuRo )

Vamos ouvir Emoções do Roberto Carlos porque o Reveillon já vem aí e ninguém é de ferro.
Com tamanha tonelagem explosiva do Reveillon para onde irão os golfinhos que com natural simpatia animam os mares de Iracema?










o poder pertence a quem possui sino ou sirene
"O audível mantém território por sua ampla capacidade, o poder pertence a quem possui sino ou sirene, na rede dos emissores de som...Não sabemos, inteiramente, até que ponto amedrontamos o mundo, nem a que tocas escuras nós o levamos a fugir. Os tigres vagueiam pela selva, as águias refugiam-se nas escarpas, as raposas nas furnas e os sábios em certas ilhas, de medo desse ruído. Espécies ameaçadas que hoje morrem porque aprendemos a difundi-lo melhor ...Nossas megalópoles ensurdecem: quem suportaria este inferno sem desfalecer se não contasse com a equivalência entre o grupo e o barulho? Fazer parte de um consiste em não ouvir o outro, quanto mais a gente se integra, menos o escuta; quanto mais se incomoda com o barulho, menos pertence ao grupo." Michel Serres -- Os Cinco Sentidos


EuRo 08

sábado, 22 de novembro de 2008

Quem dá mais?


Quem dá mais?
Marte, Júpiter, Quirino?
"Assim como a ciência procura reconhecer como os fenômenos se produzem e não por que, da mesma forma ela chega a conceber de que maneira ela própria funciona, e não por quê. Seu objeto, este sim, é despojado de projeto. Um instrumento polivalente sem finalidade. Ela é livre. Por liberdade entendo não o mesmo que a política e a metafísica, mas o que a mecânica diz a seu respeito. Ou a linguagem ordinária. Da mesma forma que diz que uma mulher é livre quando não tem uma relação, ou quando não está mais apaixonada. Livre sem constrangimento para se prender. Polivalência sem projeto, sim, reduzida à finalidade sem objetivo, como uma arte, a ciência se oferece por todos os lados." Michel Serres - Hermes, uma filosofia das ciências- Graal

"Nós seres humanos modernos vivemos sob duas inspirações culturais básicas e difundidas: uma segundo à qual o mercado justifica tudo, e a outra, de que todo o progresso é um valor que transcende a existência humana. Isto se expressa no fato de que praticamente tudo o que nós humanos modernos fazemos é feito em relação ao seu valor de mercado, e de que falamos e agimos como se fôssemos sendo arrastados por uma onda de progresso à qual devemos nos submeter" Humberto Maturana - Cognição, ciência e vida cotidiana - Humanitas

Saudações da pARTE do HeRo
Fortaleza é nossa debilidade

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Violência


O estilista e o gramático


“Cada um conta com a falência do outro ao lhe declarar amavelmente: não compreendo nada do que você diz. O gramático ao estilista: fora daqui, mente confusa e irracional. O estilista: tens sempre razão naquilo em que progrides e propões, concordo. Mas, e depois? Ardiloso, prudente, rigoroso, circunspeto, progrides meio milímetro em um século. Enquanto isso, desatento, corajoso, intuitivo, criei o sentido, sim, o sentido da vida, o mundo, o trágico, o próprio conhecimento, o amor, as relações com o vizinho e as andorinhas trazendo a primavera nas asas. Com o sacrifício da clareza, faço a língua viver. Tu esclareces sacrificando a vida. Se, na hora de correr, eu analisasse o movimento dos meus ossos, músculos e neurônios, minhas intenções e objetivos, razões e proporções, jamais sairia do lugar. O gramático diz: tu não sabes nada. Tu fazes nada, responde o estilista. Tanto um quanto o outro estão certos. O filósofo sabe, mas também faz, trabalhando nos dois canteiros em escala média”
Michel Serres - Filosofia Mestiça- Le Tiers-instruit Ed Nova Fronteira


Saudações da pARTE do Hélio Rôla
Fortaleza é nossa debilidade
Fazer o quê?
Tango-La_Cumparsita.mid

Paisagem





Turbulência & "turbulânsia"


O MÉTODO DESCANSA NO DOMINGO




“Caiam fora. Guardem o método ou os métodos reconhecidos como seguros, para caso de doença, miséria, cansaço, partam novamente em rodeio*. Explorem o espaço, mosca que voa, cervo acuado, viandante sempre expulso do caminho natural pelos cães de guarda que rosnam ao redor dos lugares confortáveis. Vejam seus próprios eletroencefalogramas que pulam em todos os sentidos e varrem a página. Divaguem como um pensamento. Façam o olho brilhar em todas as direções, improvisem. Com a improvisação, a vista se surpreende. Considerem a inquietação uma ventura, a segurança, uma pobreza. Deixem o equilíbrio, o vazio do trilhado, percorram as baías de onde voam as aves. Perfeita expressão popular: virem-se. Supõe um emaranhado confuso, alguma desordem e essa confiança vital no acontecimento descoberto de improviso que caracteriza os ingênuos, solitários, amorosos ou estetas, em plena saúde.
Essa higiene de busca nos distingue das máquinas e nos aproxima do que o corpo sabe fazer. Mais que a mente, o corpo nos afasta do artifício.
O método descansa no domingo; o rodeio, todos os dias, salva a vida. Se vocês têm necessidade de vitória, de lugar previsto, de batalhas, bancos ou instituições, sigam pelo método. O rodeio fica para o tempo e a inteligência, a saúde do pensamento, liberdade, paz: criação de lugares imprevistos.
Mas percorram os dois, não condenem nenhum; o amante de paisagens às vezes precisa de auto-estrada. Abandonem, portanto, o pensamento selvagem que privilegiava, indevidamente, o lado direito. Orientar-se no pensamento não deixa escolha senão a de virar a leste.” Michel Serres Os Cinco Sentidos-Filosofia dos corpos misturados Ed BB pg. 278

*Método e rodeio
Rolanota: o método, sempre na pressa, marca o terreno com retas e rotas ariscas e sem olhar pros lados, cego? vai em frente, mesmo após as bifurcações...agora imaginemos o desenho deixado no chão por um rodeio de mil voltas e conexões...este é o rodeio de que fala MS.
MS.


"Se você quiser ensinar autonomia e reflexão, não poderá usar a força como um método,
mas criar um espaço aberto para reflexão e ação comunitárias.
Não deve haver contradição entre metas e meios" Humberto Maturana



Saudações da pARTE do Hélio Rôla
 
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