quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Política, a feira carismática




O Homem político & o mundo

“Tão miticamente quanto o pensávamos, o contrato social marca o início das sociedades. Em função destas ou daquelas necessidades, alguns homens decidem, certo dia, viver em conjunto e se associam; desde então não sabemos mais passar uns sem os outros. Quando, como e porque esse contrato foi--ou não--assinado, não sabemos e, sem dúvida, nunca saberemos. Não importa.

...Imerso no contrato exclusivamente social, o político até esta manhã o subscreve e reescreve, faz com que seja observado, especialista unicamente em relações públicas e ciências sociais; eloqüente, até retórico, talvez até culto, conhecendo as entranhas, os corações e a dinâmica dos grupos, administrador, bom de mídia, essencialmente um jurista, ele mesmo produto do direito e produtor do direito: inútil tornar-se um físico...

...Tudo acaba de mudar. De agora em diante consideraremos inexata a palavra política, pois ela se refere apenas à cidade, aos espaços publicitários, à organização administrativa dos grupos. O que mora na cidade, antigamente chamado burguês, nada conhece do mundo. De agora em diante o governante deve abandonar as ciências humanas, as ruas e os muros da cidade, tornar-se físico, emergir do contrato social, inventar um novo contrato natural voltando a dar à palavra natureza o sentido original de condições em que nascemos—ou deveremos amanhã renascer."

....Ao contrário, o físico, no sentido grego mais antigo e também o mais moderno, aproxima-se da política.

Michel Serres, O Contrato Natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991


Saudações da pARTE do HeRo

quinta-feira, 21 de agosto de 2008



" Há tanta violência no conhecimento quanto nas fronteiras das cidades ou no coração das florestas primitivas. Mesmo sendo portadores do conhecimento, não deixamos de caçar, de planejar escaramuças, de construir armadilhas e de esperar pacientemente pela oportunidade de matar. Caça e conhecimento são partes integrantes da vida, resultam de sua força e seguem seu fluxo. Sim, ambos são trágicos, o segredo da vida se aproxima do segredo do conhecimento"
Michel Serres
(O Incandescente Ed Bertrand Brasil)

" Os tolos fazem pesquisa, e os homens sábios os exploram"

H.G.Wells (1905)
O poder parasita

" O parasita controla a vida e a morte, a origem e o fim, o tempo e a composição, o bem e o mal, o falso e o verdadeiro, a ordem e a desordem. Tentem encontrar um poder ou algum dominador que não se conduza de maneira parasitária."
Michel Serres
Política
O Teatro Carismático


"...se não nos inteiramos de que a democracia pertence ao desejo e não à razão, não seremos capazes de viver em democracia, porque lutaremos para impor a verdade. A democracia é uma conspiração social para uma convivência na qual a pobreza, o abuso e a exploração são erros a serem corrigidos porque se tem o desejo de fazê-lo. Além disso, o viver na democracia exige aceitar que o projeto de uma ordem social não é pertinente, porque ela é, de fato, uma conspiração fundada num desejo de convivência. Ao pretender elaborar um projeto de uma ordem social abrimos espaço para a tirania, porque nos erigimos como sabedores do dever social e exigimos que os outros sejam de uma certa maneira que consideramos apropriada...a conspiração democrática é um convite criativo, não uma restrição autoritária."
Humberto Maturana






"Traiçoeira civilidade"


Hoje em dia, quando a educação mais elaborada e o gosto mais cultivado reduziram a um conjunto de regras a arte de agradar aos demais, nossa conduta é governada por uma servilidade baixa e enganosa, de modo que todo preceito de polidez exige constante obediência. As boas maneiras nos são ditas, e devemos sempre seguir seus comandos, nunca nossa própria natureza. Sob essa incessante restrição, já não ousamos parecer como de fato somos. Naquele rebanho de ovelhas a que chamamos sociedade, cada homem em situação semelhante faz exatamente as mesmas coisas que os outros.[...] Assim, não há mais nenhuma amizade sincera, nenhuma estima, nenhuma confiança segura. A suspeita, o ressentimento, o medo, a frieza, a reserva, o ódio e a traição estão sempre à espreita, ocultos por um véu de permanente e traiçoeira civilidade.
Os sentimentos estão sufocados pela tão admirada urbanidade que devemos ao esclarecimento deste século.


Rousseau (1750)

" Ou os homens estão sós, diante da natureza, sem grupo ou sociedade, ou eles passam a viver na política e, então, não há mais mundo"
Michel Serres Luzes

domingo, 10 de agosto de 2008

O de sempre # 2




"Como espécie, o sapiens ama e detesta sua própria vida e as de outras espécies, ele as erradica e as pesquisa. Uma força grandiosa transbordante de crime e deleite...Vivemos, logo amamos; vivemos, logo odiamos. Eu amo e odeio a vida, logo existo. Transformamo-nos lentamente, com variações individuais, num gênero pacífico e arrogante, inventivo e exterminador, amoroso e tanatocrático, de Stalin a São Francisco de Assis, do caçador impiedoso a São Júlio, o Hospitaleiro, do parasita ao simbionte, da loucura dos que adoram o poder ao surpreendente punhado de santos que dedicam seu poder ao amor."
Michel Serres

NOVA BANDEIRA



Nova Bandeira HeRo 08

GOVERNO
ÁGORA E AGORA?

“A noção de governo se refere às conversações de harmonização entre as ações da pessoa encarregada do operar de uma instituição como sistema de coordenações e emoções, ou governante, e as ações dos governados que realizam a instituição como tal. A tarefa do governante é guiar as conversações que constituem a instituição de modo que as ações dos governados e, portanto, o emocionar que as sustenta, sigam um curso congruente com suas intenções, desejos e propósitos. Noutras palavras, governar consiste em dirigir e harmonizar as intenções, desejos e propósitos dos membros de uma instituição; ou ainda em outras palavras, governar consiste em harmonizar o fluir emocional dos membros da instituição governada. Por isto, toda reflexão sobre o governo de uma instituição qualquer, deve revelar necessariamente tanto o espaço das intenções, desejos e propósitos que constituem as ações do governante, quanto o espaço das intenções, desejos e propósitos que devem fundar as ações dos governados como membros da dita instituição.”

Humberto Maturana R. El Sentido De Lo Humano. Chile, Hachette, 1992, (pg. 210).



Fortaleza
é nossa debilidade
Saludos HeRo

Zorba
"ZIGRICK"


sábado, 29 de março de 2008

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Trotsky matou quantos?


O Comunismo no México Diego Rivera Trotski e Frida"A revolução bolchevique levou Lenin ao poder em 1917. Dois auxiliares de Lenin, cresciam na máquina soviética. Stalin na política e Trotski no exército. A morte de Lenin em 1924 precipitou uma luta entre os dois pelo poder. Ganhou Stalin, Trotski foi expulso do partido comunista em 1927 e do país em 1929. Trotski foi exilado no México em 1937, e foi recebido e hospedado por Kahlo e Rivera na “Casa Azul”de Coyoacán.A atividade de Rivera e Frida no partido comunista foi complexa, Rivera não aceitava dogmas, nem mesmo os dogmas comunistas. Frida acompanhava Rivera , embora tivesse posições próprias. Rivera era na verdade um humanista e um homem livre que procurava através do marxismo exercer o seu amor pelos mais oprimidos de sua terra, e considerava este um caminho justo. Mas como todos os que acreditam na liberdade foi incompreendido. Nos Estados Unidos teve a coragem de pintar Lenin, em um mural encomendado pelos Rockefeller, em Nova York. O mural foi destruído e Rivera despedido. Rivera foi expulso do partido comunista justamente por ter aceito pedidos dos americanos. Aliou-se à Trotski, que já era oposição ao regime comunista de Moscou. Voltou depois ao partido comunista. Era na verdade um liberal, um anarquista, um artista em luta contra a hipocrisia. Seu tema foi sempre nacionalista, procurou o comunismo, porque naquele momento esse era o melhor caminho, era a posição esperada de intelectuais preocupados com a melhoria de vida da maioria. Ser comunista naquele momento da história era o êrro correto"...
Stalin e Trotsky
"(Joseph) Stalin e Trotsky pensavam de duas maneiras diversas sobre a revolução. Stalin, para consolidar seu poder, aferrou-se à sua teoria do socialismo em um só país, e restringiu todo indício de democracia e pluralidade. Trotsky, com sua teoria da revolução permanente, pensava que a vitória na Rússia era só um passo para depois seguir pela Europa"."Mas Stalin praticamente traiu a possível revolução chinesa em 1926-1927, não permitiu uma aliança entre as forças de esquerda na Alemanha que poderiam evitar a subida de Adolf Hitler ao poder, manietou a Internacional Comunista e, na Espanha, durante a guerra civil (1936-1939), exigiu que se lutasse pela vitória sem fazer a revolução. Era o menos brilhante, mas demonstrou ser o mais astuto e sibilino.”
Trotsky matou quantos?
"Devemos dar um fim, de uma vez por todas, à fábula acerca do caráter sagrado da vida humana”.
Atribui-se essa frase a ele mas há quem diga que Trotsky jamais matou alguém, dizem que ele somente ordenou o massacre e execuções dos revoltosos de Kronstadt ( Operação limpeza?) A Revolta de Kronstadt foi uma insurreição de marinheiros contra o governo russo (bolchevique). Foi o último confronto armado de importância da Guerra Civil Russa . A revolta aconteceu nas primeiras semanas de Março de 1921, em Kronstadt, uma fortaleza naval localizada na ilha de Kotlin, no Golfo da Finlândia. Tradicionalmente, Kronstadt servia de base para a frota báltica russa e de defesa marítima para a cidade de São Petersburgo (mais tarde chamada Petrogrado, depois Leningrado e então São Petersburgo novamente, que é seu atual nome), a 35 milhas de distância." Os revoltosos foram massacrados e milhares executados sumariamente
" A União Soviética começa com o intúito de acabar com a tirania, de acabar com a exploração, de acabar com a pobreza, de acabar com a miséria, de acabar com o abuso, porque todos os pensadores marxistas ou comunistas pensam que tem uma teoria que justifica o que eles decidam pelos outros e terminam por gerar outra tirania. Se eu quero que os outros se comportem como eu quero, gero uma tirania. Por isso é que a democracia é uma obra de arte. Se não existe uma incerteza, uma democracia pode se tornar uma tirania. Porém isso não quer dizer que não vou fazer nada. Quer dizer simplesmente que o que não vou fazer é gerar uma tirania" Humberto Maturana La Democracia és una Obra de Arte
" Uma idéia contra uma idéia continua sendo a mesma idéia, embora dotada de sinal negativo. Quanto mais se opõe a algo, mais se permanece no mesmo âmbito de pensamento" Michel Serres Luzes

Qual Ditador Matou Mais Em Todos Os Tempos

Summary rating: 5 stars 7 Avaliações
Autor : Revista Superinteressante
Resumo de : gersonivan
Visitas: 87
Em números absolutos, o maior matador foi o ditador chinês Mao Tsé-tung, que mandou nada menos que 77 milhões de compatriotas para o além. Em percentual relativo, o líder mais sanguinário foi o general Pol Pot, que assassinou "apenas" 2 milhões de pessoas - um terço da população do Camboja, país em que ele foi primeiro-ministro entre 1976e 1979. Abaixo segue a relação dos 10 governantes mais assassinos de todos os tempos. A relação tem como critério básico o total de mortes causadas pela ação ou omissão de lideres com poderes ditaroriais. Isso inclui desde fuzilamento no paredão até grandes fomes causadas por uma guerra civil.- Mao Tsé-tung China (1893-1976) 77 000 000- Joseph Stalin URSS (1879-1953) 43 000 000- Adolf Hitler Alemanha(1889-1945) 21 000 000- Kublai Khan Mongólia (1215-1294) 19 000 000- Imperatriz Cixi China (1835-1908) 12 000 000- Leopoldo 2o. Bélgica (1835-1909) 10 000 000- Chiang Kai-Shek China e Taiwan (1887-1975) 10 000 000- Gêngis Khan Mongólia (1162-1227) 4 000 000- Hideki Tojo Japão (1884-1948) 4 000 000- Pol Pot Camboja (1925-19980 2 000 000


Os cães do assassino de Trotsky

AUTOR: Dália ACOSTA
Traduzido por Omar L. de Barros Filho
Havana – O homem que matou León Trotsky por encomenda dos serviços secretos soviéticos e passou 20 anos em uma prisão mexicana sem falar, no final de seus dias radicou-se na capital cubana, onde costumava, diariamente, passear com seus cachorros pela Quinta Avenida do bairro residencial de Miramar.





Ramón Mercader




E foi nesta Quinta Avenida onde o cineasta cubano Tomás Gutiérrez Alea (1928-1996) viu pela primeira vez aqueles cães e entendeu que eram os exemplares corretos para seu último filme, no qual narra a história de uma família da alta burguesia cubana, que se isola em sua mansão para ignorar as mudanças que se sucederam ao triunfo da Revolução em 1959. Os cachorros do catalão Ramón Mercader del Río (1914-1978), então conhecido na ilha como Jaime Ramón, foram vistos por muitas pessoas no mundo nas seqüências de "Los sobrevivientes" (1978), uma das obras-primas do diretor de "Memorias del Subdesarrollo"(1968) e "Fresa y Chocolate" (1993).
"Nunca houve cães assim em Cuba, nem voltará a haver", disse à IPS o escritor cubano Leonardo Padura, que trabalha nos últimos detalhes de um romance sobre as "peripécias, intrigas e perseguições" que cercaram, no México, o assassinato de Trotsky (1879-1940), um dos principais líderes da chamada Revolução de Outubro (Rússia, 1917).







"Um romance como esse somente pode se escrever obcecado com esta história", comentou o jornalista e narrador, autor de obras literárias que prescrutam a realidade cubana atual como "Vientos de Cuaresma" (1994), "Pasado perfecto" (1995), "Máscaras" (1997), "Paisaje de Otoño" (1998), "La novela de mi vida" (2001) e "La neblina del ayer" (2005).
"O homem que amava os cães", um título com que Padura pretende render homenagem ao escritor norte-americano Raymond Chandler (1888-1959), é narrado em três linhas paralelas: o exílio de Trotsky de 1929 até sua morte em 1940, a preparação e execução de seu assassinato, e o destino posterior do assassino ou "braço executor", em Moscou e depois em Cuba.
Padura conta a peregrinação do exilado Trotsky por Alma-Ata (Cazaquistão), Turquia, França, Noruega e sua estada definitiva em uma "casa-fortaleza" em Coyoacán, cidade do México. E, por outro lado, segue os passos de Mercader del Río desde seus tempos como soldado do Exército Popular espanhol, Moscou, França, Nova York e México. Como em seus livros policiais, onde a trama é apenas um pretexto para submergir na sociedade cubana, o romancista parte do que considera um dos assassinatos mais significativos do século XX, para afundar na luta pelo poder após a morte de Vladimir Ilich Lenin (1870-1924) e a ascensão do fascismo.
"(Joseph) Stalin e Trotsky pensavam de duas maneiras diversas sobre a revolução. Stalin, para consolidar seu poder, aferrou-se à sua teoria do socialismo em um só país, e restringiu todo indício de democracia e pluralidade. Trotsky, com sua teoria da revolução permanente, pensava que a vitória na Rússia era só um passo para depois seguir pela Europa".
"Mas Stalin praticamente traiu a possível revolução chinesa em 1926-1927, não permitiu uma aliança entre as forças de esquerda na Alemanha que poderiam evitar a subida de Adolf Hitler ao poder, manietou a Internacional Comunista e, na Espanha, durante a guerra civil (1936-1939), exigiu que se lutasse pela vitória sem fazer a revolução. Era o menos brilhante, mas demonstrou ser o mais astuto e sibilino.”
“Trotsky era brilhante, orador, culto, mundano, famoso e mítico. Eliminar Trotsky se converteu em uma exigência para que Stalin pudesse conseguir a supremacia e o poder absoluto, inclusive a possibilidade de reescrever a história e roubar um protagonismo que nunca teve. O final é conhecido desde o início, o importante é o como. Por que se frustrou a grande utopia do século XX? É o que, simbolicamente, quero levar para o romance. A perversão começou nos próprios anos 20 e o assassinato de Trotsky colocou o ponto final em qualquer salvação dessa utopia", afirmou o autor.
"É algo que também tem a ver conosco. O ser humano não pode viver sem utopia", acrescentou. Há três anos o romancista cubano segue trabalhando na obra que, espera, seja publicada no outono de 2008, pela editora Tusquets, de Barcelona. Durante esse tempo buscou documentos originais, leu livros de história e ficção, consultou mapas urbanos e aprendeu quase de memória os diários do exílio de Trotsky.
Em todo o processo prévio à escrita, Padura sempre tropeçou com o mesmo obstáculo: o silêncio de Mercader del Río. "Esteve 20 anos no cárcere no México e não falou, no tempo em que viveu em Moscou desapareceu e em Cuba foi um fantasma. E imaginei que em alguma oportunidade deveria haver sentido muitos desejos de contar sua história", explica. No romance, Jaime Ramón relata tudo a um joven cubano estudante de veterinária que, apesar de sua promessa de não dizer nada a ninguém, 20 anos depois passa todos os detalhes a um amigo escritor. Os cães se convertem na conexão entre Mercader del Río e o jovem que, por sua vez, marca a distância necessária entre a história e a ficção.
"Como Ramón Mercader amava os cachorros também o homem que ele assassinou os amava. Trotsky tinha quatro galgos russos e quando parte para o exílio em Alma-Ata, leva um com ele. O mesmo amor era compartilhado também pelo jovem veterinário cubano. Qualquer um deles pode ser o homem que amava os cães", comenta.
Pesquisa recomendadaLeón Trotsky - wikipedia Leonardo Padura: con la pluma y con la espada Cuba: Crónicas de una pluma célebre y crítica Literatura-Cuba: La neblina de la crisis
Fonte: http://ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=86670 Artigo original publicado em 27/11/2007Sobre o autorTradução redigida em português do Omar L. de Barros Filho é editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.URL deste artigo em Tlaxcala: http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=4324&lg=po

Fortaleza é nossa debilidade
Promova o silêncio

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Eu acredito é na rapaziada?



"No passado, as guerras e lutas eram claras, declaradas, juridicamente notórias, opunham entre si nações e classes definidas e distintas. Conceitos de direito e da política, esses conflitos terminavam pro meio de armistícios e tratados, textos também redigidos em termo de direito. Que novo conceito permitirá pensar a oposição dessas invisibilidades, o punho do terrorismo e a mão do mercado, nesse momento de não direito?...Sob as baixas latirudes encontram-se os imortais, que não cessa de sorver o néctar da ambrosia. Essa evidência não pode deixar de lado as chamadas democracias; escudando-se numa publicidade mentirosa, na qual ninguém mais crê, elas ainda podem glorificar a mais feroz e desigual das aristocracias corporais, a mais implacável do que todas as outras?" Michel Serres O Incandescente & Hominescências

Iracema /Chega de saudades HeRo 08


"Quem foi o primeiro a delimitar um nicho e dizer: este me pertence. Todos o seres vivos e há milhões de anos. Para sua defesa, a continuidade desse gesto pressiona arcaicamente a co-evolução. Por muito tempo fomos, e ainda frequentemente continuamos a ser, animais políticos, os Agamenons, os Ajax, os Aquiles, pequenos chefes despóticos rodeados de guerreiros, vizinhos da genealogia de animais, que babavam de inveja quando o sabre era desembainhado. Não foi facilmente que saímos da animalidade. Ainda que nada saibamos sobre isso, tudo começou muito antes da guerra de Tróia, sem dúvida desde nossa própria emergência no Oeste africano, e durou até a explosão de Hiroshima" Michel Serres Hominescências

Cultura ma non troppo/Arte inflada

Praia de Iracema 94

Cultura? Claro que quero!
Só que não quero é ela
além da conta e sem jeito
atravessando parede
estourando ouvidos
descendo goela abaixo
ou de olhos adentro
nem se espalhando corpo afora
sem que eu
nada mais possa fazer
senão arte
para me livrar dela

Cultura morta de som
morta a som
ou som morta?

Picho, logo pinto?


Jornal do pintor
Picho, logo pinto?

Quando só me acho
saio fora do nicho
pra não ficar com cara de tacho
apanho o spray e picho...

e assim fiz esse rolanet:
a imagem a partir de um desenho à lapis cera
sobre a "página do leitor "do jornal O Povo de 2006
se não me engano

Saudações da pARTE do Hélio Rôla

A cor do crime/aquarela do jornal



Há 23 anos atrás, em 1985, fiz uma série de desenhos aquarelados sobre a página policial do jornal O Povo , que chamei de "a cor do crime". Parte dela foi enviada, via correio, para a redação do jornal que chegou mesmo a fazer uma mostra na Fundação Demócrito Rocha, se não me engano em 85. Os poucos exemplares que me restavam ( 3 ou 4?) foram doados, à pedido, para o acervo de obras de arte do MAC Ce, quando ainda da gestão do Sr Ricardo Resende que considerou os trabalhos como artisticamente relevantes. A Cor do Crime eu iniciei em BH, em 85, quando lá estive como pesquisador visitante na UFMG, desenhando, nas horas vagas, sobre a página do crime do Jornal O Estado de Minas que tinha o mesmo layout visual que o jornal O Povo da época...Lá surgiu A Cor do Crimineiro e aqui a decorrência foi A Cor do Crime, somente.
Bom, para dar um tom de museu e de arte ao que desenhei sobre as páginas do jornal fiz essa montagem, a imagem é de 85 e o som é do Pixinguinha. Espero que apreciem o Rolanet do dia.
Arte, pra que te quero?

Caça animal, bonde da história?


Arte Bonde


" O que diferencia Alexandre, César, Bonaparte, Stalin, Pol Pot e Hitler? Certamente, todos eles possuíam uma alma fraca. Homens ilustres, chefes aclamados: matadores. Heróis: assassinos ou vítimas. Modelos famosos e mortuários. Conduzida por esses açougueiros para abatedores semelhantes, essa história se reproduz a nosso redor, mas agora começamos a nos indignar com ela. Mal acabamos de sair de uma história pontuada pela explosão de personagens repugnantes ( do verbo pugnare, combater), comandantes que deixaram grandes rastros de sangue, patrões que foram sustentados por rios de suor...o poder que antigamente estava enraizado na morte tem agora o projeto de se enraizar novamente na vida? Podemos aliviá-la, prolongá-la, reproduzi-la? Acabamos de adquirir o direito de vida e paz?" Michel Serres Hominescências

O som divide


Ampliando nossa visão

Paisagem geléia

"...as relações infantis do tipo dominador/dominado tendem a nos empurrar para a negação dos fatos e a insensibilidade a fim de escaparmos da nossa dor ou daquela que causamos a outros. Isso nos prende a hábitos dolorosos e desajustados. E nossa cultura, em grande parte, tem o mesmo efeito.
Álcool, bares barulhentos, anúncios frenéticos na televisão e entretenimento tipo "ação" são todos dessensibilizantes, tornando mais difícil o contato com nossos próprios sentimentos" Riane Eisler O Poder da Parceria Palas Athena

Saudações da pARTE do Hélio Rôla

O reveillon do diabo



El despertar del diablo
O clamor do Réveillon

"O audível mantém território por sua ampla capacidade, o poder pertence a quem possui sino ou sirene, na rede dos emissores de som...Não sabemos, inteiramente, até que ponto amedrontamos o mundo, nem a que tocas escuras nós o levamos a fugir. Os tigres vagueiam pela selva, as águias refugiam-se nas escarpas, as raposas nas furnas e os sábios em certas ilhas, de medo desse ruído. Espécies ameaçadas que hoje morrem porque aprendemos a difundi-lo melhor" Michel Serres Os Cinco Sentidos pg 105
PS com tanta bomba explodindo por 15 minutos no Reveillon imagino o estresse sonoro sofrido pelos golfinhos e outras vidas marinhas que enfeitam com simpatia os mares da Praia de Iracema. Já pensou nisso?
Saludos HeRo

Fortaleza é nossa debilidade
Promova o silêncio



Iracema/Hiroshima

Quem ama não buzina

Iracema/Hiroshima
Reveillon

A boemia morreu?
Você viu como ficou Iracema
depois de tanta bomba?
Esquecemos Nagasaqui
mas, quem pode esquecer
Hiroshima?

Hiroshima Iracema
Iracema Hiroshima
Iracema mon amour

Iracema
Um negócio da China?
Quem sabe?

Guns and Roses?
Brega & Chique?
THE POLICE?
The Who?
Who's Bad?

RATOS DO PORÃO


Saludos HeRo
PS Pergunta pro Ruy Lima: dizem que no dia em que explodiram Hiroshima os americanos fizeram a maior festa no seu cassino ( velho Estoril) na piscininha ou na ponte dos ingleses?

Fortaleza é nossa debilidade
A cultura aturde
Promova o silêncio
O silêncio, um bem comum,
promove a sensibilidade
e daí surje a cidadania
Será?

Banco de Imagens: http://www.picasaweb.google.com/herola